Pensando Ciências visita: Mata de Santa Genebra II

Salve, Pensadores de Ciências!

Hoje vamos falar sobre a parte final da nossa visita à Mata de Santa Genebra. A primeira parte está bem aqui.

No segundo momento nossa turminha pôde ver um pouco mais das espécies vegetais dessa área incrível em Campinas. Claro que ainda vimos uns “bichinhos” por lá, mas vimos cada espécie de planta… ❤ Vem ver como foi!

Depois do borboletário, pudemos ver algumas plantas nativas de nossa região, como essa bromélia

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Esta bromélia fica dentro do Borboletário, dá pra perceber que as lagartas de borboletas gostam de Bromélia.  

A família das Bromeliáceas abriga mais de 3000 espécies e milhares de híbridos. Com uma única exceção, todas são nativas das Américas, sendo que o abacaxi é a mais popular delas. Só no Brasil, existem mais de 1500 espécies. 

As bromélias não são parasitas como muitas pessoas pensam. Na natureza, aparecem como epífitas (simplesmente apoiando-se em outro vegetal para obter mais luz e mais ventilação), terrestres ou rupícolas (espécies que crescem sobre as pedras) e compõem uma das mais adaptáveis famílias de plantas do mundo, pois apresentam uma impressionante resistência para sobreviver e apresentar infinitas e curiosas variedades de formas e combinações de cores. 

As bromélias estão divididas em grupos chamados gêneros – que hoje são mais de 50. A maioria das espécies de um mesmo gênero tem características e exigências iguais.

As bromélias crescem em quase todos os solos, levemente ácidos, bem drenados, não compactados e que propiciem condições de bom desenvolvimento para o sistema radicular. O substrato deve ter partes iguais de areia grossa ou pedriscos, musgo seco (esfagno) ou xaxim e turfa, ou mesmo húmus de minhoca. O importante é que a mistura possibilite uma rápida drenagem. Cryptanthus e Dyckias crescem bem no mesmo tipo de mistura, acrescentando-se, ainda, uma parte de terra ou folhas secas moídas.

Quer saber como a gente aprendeu tudo isso sobre bromélias? Clica aqui.

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E essa lindeza aí em cima?!

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Essa flor bem aqui em cima é o Camarão-amarelo.  É uma planta perene (vive mais de um ano), muito atrativa para beija-flores. Em países de clima temperado a planta é comumente usada na decoração de interiores, plantada em vasos. Mas no Brasil é mais utilizada nos jardins.

Sua inflorescência amarela é muito chamativa, e suas folhas também possuem um bom valor ornamental. O camarão-amarelo é cultivado em vasos, em grupos, ou em renques acompanhando muros, muretas e paredes, a meia-sombra ou em pleno-sol.

Prefere temperaturas mais altas, não suportando bem temperaturas baixas demais. Umidade do ar alta também é apreciada (acima de 60%).

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Essa daqui de cima é conhecida por Helicônia, Bananeira-do-brejo, Bananeira-ornamental, Caetê ou Papagaio é uma plantatropical por excelência, esta espécie de helicônia, é a que produz as inflorescências mais espetaculares e ornamentais. Estas inflorescências sãosemprependentes, com o comprimento que varia de acordo com o número de flores. As brácteas são de coloração vermelho vivo com bordas de cor amarelo e verde. As flores são pequenas e brancas e surgem do interior das brácteas.

Esta helicônia, se bem adubada e irrigada, produz flores durante o ano todo, mas principalmente nos meses mais quentes. Presta-se para formação de renques junto a muros, maciços ou como planta isolada. É muito utilizada como flor-de-corte também.

Deve ser cultivada a pleno sol ou à meia-sombra, em solo fértil e rico em matéria orgânica, irrigado com freqüência. Não é tolerante ao frio. Multiplica-se pela divisão da touceira.

Olha aqui onde você pode pesquisar mais sobre a Helicônia.

Nessa hora, já estávamos encantados com tudo que vimos, mas a Mata têm ainda mais tesouros!

Conhecemos a Sangra d água, também conhecida como Sangue de Dragão é o sangue cicatrizante da floresta. Tem poderes cicatrizantes, antiinflamatório e antiviral.

Quando suas folhas caem ficam com uma cor laranja incrível.

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A folha, em destaque, ainda mais linda:

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E se você ainda não se convenceu de que o nome de Sangue de Dragão foi uma boa escolha…veja você mesmo!

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Não é impressionante?!

Pudemos observar também muitos fungos.

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Deu até pra turma se lembrar da nossa experiência com os Decompositores e ver a diferença das formas para estas espécies aqui.

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O fungo que você nesta foto é o orelha-de-pau (Polyporus sanguineus),também conhecido como urupê, costuma crescer sobre troncos de árvores. Ganhou este nome por ser muito parecido com uma orelha e com uma madeira (lembrando que se trata de fungo e não uma planta). Este fungo se trata de um decompositor da cadeia alimentar, se alimentando de matéria morta, podendo ser um grande indicador do estado físico da árvore.

Normalmente quando encontrado em um troco, indica, na maioria das vezes, que a árvore está comprometida (este processo é muito importante, pois realiza a reciclagem dos elementos químicos encontrados na natureza). A parte externa deste fungo, é denominada corpo de frutificação, o fungo fica localizado no interior do tronco. É possível localizar este fungo em várias regiões do país, apesar da maioria dos fungos não gostarem de luz solar, este se adapta muito bem a regiões tropicais.

Foi muito interessante ver várias espécies de fungos na natureza e observar o processo de decomposição in loco.

Aí você pensa que as emoções acabaram? Sabe de nada, inocente! rsrsrs

Quando nosso estudo ia chegando ao fim…

…demos de cara com uma aranha armadeira. \o/

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Também conhecida como aranha-macaco, a armadeira é uma das aranhas mais venenosas do mundo. Seu nome faz referência a uma ação desta aranha que, quando está em situação de ataque, ergue as pernas dianteiras. 

Mais algumas curiosidades dessa nossa “amiga”

  • São agressivas e seu veneno potente e tóxico, age rapidamente no sistema neurológico da vítima. O veneno também pode afetar o sistema cardíaco. A picada desta aranha pode levar uma pessoa a óbito, caso não haja socorro médico rápido e eficiente.
  • A aranha armadeira possui um corpo de 4 a 5 cm e suas pernas podem chegar a 17 cm.
  • Estas aranhas possuem o corpo com coloração que vai do cinza ao marrom. Nas pernas existem pequenas faixas na cor branca.
  • É uma espécie de aranha originária da América do Sul, sendo encontrada no Brasil. Em nosso país é uma das aranhas que mais provocam acidentes.
  • Costumam entrar em residências em busca de alimentos ou de parceiro para acasalar, mas são encontradas também em terrenos abandonados e nas touceiras de bananeiras.
  • Em função da agressividade e de seu veneno potente, não é recomendado criar esta espécie de aranha em cativeiro.
  • A alimentação é baseada em insetos de pequeno porte (mocas, mosquitos, grilos) e artrópodes.
  • A reprodução das armadeiras ocorre de forma sexuada.

E se quiser saber mais, clica aqui.

A gente ainda encontrou o famoso macaco-prego. O macaco-prego é também chamado de “capuchinho”, pela semelhança de sua pelagem com o capuz dos monges. É um animal muito hábil, que consegue abrir frutas de casca dura. Para essa atividade, ele usa pedras e pedaços de pau. São ferramentas rústicas, mas de rara utilização entre animais.

Inteligente e de mãos habilidosas, o macaco-prego é facilmente ensinado. adapta-se ao cativeiro, mas como é muito ativo, frequentemente cria problemas. Nas matas e florestas da América do Sul, vive em bandos, cujo território pode invadir o de outros macacos. ele identifica os companheiros pelo cheiro, mas também usa outros sentidos. Passa a maior parte do tempo nas árvores, onde dorme e consegue alimento. Só desce para beber água ou atacar plantações na orla da floresta. O bando desloca-se continuamente, pulando de galho em galho. A cauda deste macaco não é preênsil. Quando ele se movimenta, mantém a cauda para cima, enrolada como um ponto de interrogação.

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Não conseguimos nenhum “close”. Digamos que nossos modelos eram um tanto temperamentais! 😀

E já na saída, na hora da despedida… não é que a Carol aparece com um “belo” sapo nas mãos?!

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Pode até não ser tão belo, mas, convenhamos, era bem simpático! Será que era um príncipe perdido? rsrsrsrsrs

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O sapo-cururu ou sapo comum considerado um gigante entre os anfíbios, pode atingir até 25 centímetros de comprimento. Os mais comuns medem entre 10 a 15 cm. As diferenças entre macho e fêmea são determinadas pela coloração, os machos possuem cor amarela-pardacenta uniforme e as fêmeas cor sépia e pelo comprimento (os machos são menores que as fêmeas).

O sapo comum ou sapo cururu tem uma pele dura e ressecada, coberta de pequenas escamas. Algumas moscas maiores costumam depositar os ovos na pele dos sapos velhos. As larvas, quando nascem , penetram no corpo do sapo através das suas narinas. O sapo, dessa forma, impossibilitado de respirar e morre.

Com as patas traseiras, os sapos cavam buracos, nos quais hibernam durante o inverno. A época do acasalamento é o início da primavera. Ocorre nos pântanos e dura várias semanas. Os ovos são postos em fileiras que podem alcançar até 5 m de comprimento. Os girinos nascem após dez dias. Depois de uma série de metamorfoses, transformam – se em sapinhos.

O sapo captura suas presas com a língua ágil. Ele fecha os olhos para engolir o alimento. Isso não é um truque, mas uma necessidade: os grandes olhos são forçados para cavidade bucal a fim de empurrar os alimentos para a garganta. Os sapos são úteis ao homem porque com seu grande apetite comem muitos vermes, lagartas e insetos nocivos de várias espécies. Valeu, príncipe sapo!

E olha quem quase fica de fora desse post, minha gente! A Carol!! nossa monitora-corredeira! 😀

Ô menina corajosa!

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Olha ela aí, rindo da minha desgraça canseira!

No momento a preocupação dos biólogos com a mata é o grande números de cipós crescendo entre as árvores. 

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Por exibirem suas folhas acima das folhas das árvores que lhes oferece suporte mecânico, as trepadeiras competem por luz de maneira eficaz. Além disso, em virtude do baixo investimento para engrossarem seus caules e ramos, as trepadeiras podem utilizar uma grande proporção de seus recursos para produzir folhas adicionais, bem como para reprodução. De modo contrário, as árvores carregadas com trepadeiras crescem mais lentamente e produzem menos sementes e frutos do que as árvores desprovidas dessa planta (Stevens, 1987). Em virtude dos efeitos deletérios gerais sobre as árvores, os gestores florestais geralmente recomendam a remoção das trepadeiras, pelo menos as que crescem em futuras árvores de produção.

O hábito de crescimento das trepadeiras também permite que sejam eficazes competidoras abaixo do solo por água e nutrientes. Em estudos experimentais onde as trepadeiras e árvores competiam em quatro situações (acima do solo, embaixo do solo, acima e embaixo do solo, não competiam), Dillenberg et al. (1993) constatou fortes efeitos das trepadeiras sobre as árvores em ambos os domínios. 

Aproveita e clica aqui para saber sobre essas plantas.

Nossos estudos só foram possíveis, pois a Fundação conta com Visita monitorada de escolas e entidades, fazendo parte de um projeto de Educação Ambiental.

Agora em janeiro de 2017 haverá a 20ª edição do Ecoférias na Mata de Santa Genebra.

Dá uma olhadinha no site e não perde essa não. 

Ao pessoal da Mata, aquele abraço e nossa sincera gratidão. ❤

Aos companheiros de trabalho Lúcia Caldas e Guilherme de Melo, nosso muito obrigada por ajudar com a identificação da bananeira –ornamental e as informações sobre o sapo cururu.

Aos meus queridos amigos/alunos obrigada por participarem comigo desse ano de aventuras, uma nova jornada se inicia pra vocês.

Deixe sua opinião sobre este e outros posts aí nos comentários! Ajude-nos a Pensar Ciências!

Até a próxima!

 

Nossa participação no Programa Município VerdeAzul: mais um desafio

Oi, pessoal! Hoje queremos dividir com vocês uma novidade especial!

Lembra que falamos aqui sobre o Programa Município VerdeAzul, da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo? Pois é, chegou a hora de explicar um pouquinho como esse programa funciona e como vamos fazer parte dele.

Criado em 2007, o PMVA tem por objetivo estimular e auxiliar as prefeituras paulistas na elaboração e execução de suas políticas públicas estratégicas para o desenvolvimento sustentável do estado de São Paulo.

As ações do PMVA são todas orientadas pelas Dez Diretrizes norteadoras a partir dos seguintes temas estratégicos: Esgoto Tratado, Resíduos Sólidos, Biodiversidade, Arborização Urbana, Cidade Sustentável, Gestão das Águas, Qualidade do Ar, Estrutura Ambiental, Conselho Ambiental e Educação Ambiental. E é aí que o nosso projeto para o ensino de Ciências entra, receberemos o apoio e divulgação do PMVA! \o/

As ações que desenvolvemos com os alunos e que vocês acompanham aqui no blog partiram de um projeto que teve início lá em 2014, quando eu (Janaína) fui participar de uma formação de professores nos cursos de extensão da Unicamp. Nesse curso, tive a oportunidade de aprofundar muitos conhecimentos da graduação, conciliar com vivências minhas em sala de aula, rever e questionar práticas. Foi um momento muito rico, fiz novas amizades, comecei a ter ideias e cá estamos hoje, colocando essas ideias em prática. Vejam algumas das informações do curso Educação Ambiental, Escola e Sociedade.

 

A ementa do curso de formação
A ementa do curso de formação

 

Os procedimento que foram adotados no curso
Os procedimentos que foram adotados no curso

 

Após o primeiro módulo,  formamos grupos e fomos desafiados a elaborar um trabalho de Educação Ambiental, que fosse pensado para demonstrar  todo o conhecimento que adquirimos e, além disso, também fomos convidados a participar do ENFOCO.

Participando do evento, resolvi inscrever o projeto no PMVA e ele foi aprovado. Agora, aguardamos as etapas seguintes. Logo, logo, nosso trabalho, assim como o blog, será divulgado pelo PMVA e teremos mais chance de fazermos o que queríamos desde o início: levar mais gente a pensar Ciências. E manteremos o blog atualizado assim que tivermos mais novidades e ações do programa.

Deixe suas dúvidas e comentários. Estamos aguardando!

Até a próxima!

 

Primeira experiência: Os Decompositores e a Cadeia Alimentar

A primeira experiência foi proposta cerca de 2 semanas após o início das aulas. A matéria de Ciências do 5º ano começou com o estudo da cadeia alimentar e seus componentes, então, ao falar dos decompositores, decidi demonstrar a ação dos fungos e bactérias no meio ambiente usando o pão como o alimento a ser observado. Tive a ideia de usar o pão industrializado para falar também da participação dos conservantes, mas optei por não comentar com os alunos essa escolha. Trabalhando com o ensino fundamental, acho muito importante deixar os alunos livres para que aprendam a observar e elaborar hipóteses. Era uma forma de conhecer a turma e também de estimular a postura investigativa que eu queria para o ano letivo inteiro.

Não foi uma tarefa fácil, pois ainda estava tentando me adaptar, como disse nesse post aqui. Mas, mesmo assim, posso afirmar que foi muito positivo e ainda está sendo, pois a experiência está em andamento e as crianças, totalmente envolvidas. Quer saber como tudo começou? Vamos à retrospectiva:

Marcamos o dia 01/13/16 como a data de início da experiência. Fechamos os pães em sacos plásticos e guardamos no armário da sala de aula.

As crianças observaram 10 dias depois e o resultado foi…NADA! Não havia sinais aparentes de micro organismos. Todos os alunos estavam com um misto de surpresa e decepção, pois já queriam ver o que poderia acontecer. Tive que me conter para não dar respostas. Em seguida, lancei a pergunta: “É só do pão que precisamos? Será que não falta mais nada para iniciar o processo?”

Alguns dias depois, um aluno falou que faltava a umidade. Com a resposta partindo deles, como eu queria, umedecemos somente o pão industrializado e, em 03 dias, o processo de decomposição teve início.

Mas… e o pão caseiro? A turma ainda precisava avançar um pouco mais!

O pão caseiro veio da casa de um aluno, doado pela mãe dele. A turma, vendo que o pão caseiro já apresentava bolor, perguntou como isso era possível, se ele não tinha sido umedecido, junto com o industrializado.

Mais uma vez, deixei que as questões e hipóteses ~andassem soltas~ pela sala… 🙂 Esse é o melhor “ruído” que uma sala de aula pode produzir, o da curiosidade despertada por uma possibilidade de conhecimento.

Os alunos foram se questionando até que alguém lembrou que há diferença entre alimentos caseiros e industrializados! EUREKA! 🙂

Nesse momento pude intervir e expliquei que os conservantes alimentícios são adicionados para retardar o processo de decomposição. E combinamos que iremos retomar esse tema futuramente para discutirmos os pontos positivos e negativos dos alimentos industrializados.

Tiramos também algumas fotos dos pães, para comparar com a aparência dos pães frescos, que temos em casa.

Ação dos decompositores no pão industrializado
Experiência com decompositores – pão industrializado
Ação dos fungos na decomposição de pão caseiro
Experiência com decompositores no pão caseiro

A aparência não ajuda, não é? 😉

E como estamos agora?

A experiência conta hoje com mais de 90 dias de duração. Os alunos monitoram, quase diariamente, nossa cultura. Ainda não decidimos quando abriremos as embalagens, mas assim que fizermos isso, voltarei aqui para atualizar o post, combinado?

E você professor? Já trabalhou com esse conteúdo? Como tem ensinado sobre fungos, bactérias e agentes decompositores no meio ambiente? Postei também no nosso canal do YouTube um material sobre cadeia alimentar. Se você tiver sugestões ou mais dicas de links e materiais, compartilhe nos comentários suas experiências!

Janaína B. Duarte