Experiência sobre alimentação: estudando o amido

Salve, Pensadores de Ciências!

O post de hoje é sobre uma experiência que fizemos com nossas turmas dos quarto ano do ensino fundamental. Como o conteúdo prevê o estudo da relação da alimentação com as defesas naturais do corpo, tenho mostrado algumas coisas “erradas” que ingerimos por aí e também o que pode estar contido em alguns alimentos do nosso dia a dia.

Fizemos uma experiência com o amido e pudemos observar a presença de açúcares em alguns alimentos. O amido é um açúcar Polissacarídeo.

Para a experiência utilizamos alguns produtos e os organizamos na mesa para que os alunos acompanhassem

experiência amido nos alimentos
Tudo pronto e a criançada em volta da mesa. Era só começar!

Como você pode ver na foto aí em cima, nós usamos:

1 pedaço de pão;

1 torrada;

1 pedaço de batata;

1 punhado de sal;

1 sequilho:   

1 punhado de farinha de trigo;

1 colher de creme de ricota;

1 pedaço de manga ;

1 biscoito;

1 pouco de iogurte

iodo

Começamos nosso experimento pingando um pouco de iodo em todos os nossos produtos… vem ver o que aconteceu:

experiência amido nos alimentos
A batata, com alta concentração de amido, logo apresentou a coloração escura ao entrar em contato com o iodo

A batata apresentou reação com iodo. Os carboidratos são alimentos energéticos, que dão energia para o nosso corpo, essa energia vem dos açúcares que são encontrados nesses alimentos.

experiência amido nos alimentos
Torrada, assim como o pão, também contém amido
experiência amido nos alimentos
O biscoito reagiu rapidamente, na presença do iodo

A torrada e o biscoito também apresentaram reação ao iodo, pois em sua composição, apresentam a farinha de trigo e a aveia que também são carboidratos.

Na sequência tínhamos o sal, o sequilho (biscoito feito de amido de milho) e a farinha de trigo. O único alimento que não apresentou reação foi o sal. O sal é um alimento de origem mineral livre totalmente de açucares.

experiência amido nos alimentos
À esquerda, vemos o sal, o único que não apresentou a coloração escura visto que se trata de um composto mineral

Após colocarmos o iodo no pedaço de manga… A criançada ficou espantada! Houve reação!!! E foram logo perguntando: “se a manga é fruta, onde entra o amido aí?”

experiência amido nos alimentos
Todo mundo de cara séria… ninguém aqui tá pra brincadeira, não! 🙂

O jeito foi explicar…

A fruta tem todo aquele sabor doce devido ao conteúdo de carboidratos. Existem muitas variedades de manga, a maioria delas tem um alto valor de carboidratos. Para cada 100 gramas de manga, existem em média 14 gramas de carboidratos. Não existe quase nenhum conteúdo de gordura ou proteína nas mangas. Ela fornece mais do que suas necessidades diárias de Vitamina A e Vitamina C. Ela também contém fibra, magnésio, ferro e antioxidantes. Portanto, você pode ver que a manga é uma fruta nutritiva no geral, como a maioria das frutas ela tem baixo conteúdo de gordura e é livre de colesterol. Quer saber mais? Experimente esse link.

experiência amido nos alimentos
Mistério da manga? Resolvido! 😉

Deixamos os dois derivados de leite para o final, o creme de ricota não apresentou reação, mas, o iogurte, deixou todo mundo de cabelo em pé… \o/

experiência amido nos alimentos
A ricota, como um produto do leite, não reagiu ao iodo

Uma dica, pessoal: usem conta-gotas para essa experiência. nós esquecemos de levar e foi uma lambança… 😀

experiência amido nos alimentos
Mas, o iogurte… quanta diferença…

Teve aluno fechando os olhos, não queria acreditar no que estava vendo. Nem nós…

experiência amido nos alimentos
E os alunos seguiam concentrados! A gente ❤

Mas o que aconteceu com o iogurte, que ficou com uma coloração escura tão intensa? Por que ele apresentou reação ao iodo e o creme de ricota não?

Depois de muito barulho, hipótese e questionamentos, alguém grita:

– Meu Deus, tem farinha no iogurte!!!!

Aí, minha gente, foi aquele desespero:

– Estão enganando a gente, Prô!

Foi preciso intervir mais uma vez:

– Calma aí, pessoal! Pode sim ser uma mistura para deixar o produto mais “grossinho” (espesso), mas vamos pesquisar…

Segundo o guia  Amidos: fontes, estruturas e propriedades funcionais:

“Na indústria de iogurtes, o amido é utilizado com o objetivo de substituir a gelatina para obtenção de um produto final cremoso.”

Agora ficamos com uma dúvida no ar, não seria a gelatina mais saudável que o amido na mistura do iogurte?

Deixamos a pergunta no ar e vamos ter que continuar investigando.

Agora queremos saber o que achou dessa experiência. Já sabia como investigar a presença do amido nos alimentos? O que você acha do uso do amido na indústria alimentícia para alterar a nossa percepção dos produtos? Divida suas impressões conosco e continue, Pensando Ciências.

Até a próxima!

 

Alimentação e Produtos Industrializados

Saudações, Pensadores de Ciências!

Hoje é dia de falarmos sobre uma pequena experiência que fizemos com nossos alunos dos anos iniciais. E o tema da aula não poderia ser melhor: alimentação!

Nossas turminhas do quarto ano já aprenderam sobre vitaminas e sais minerais, alimentos reguladores, construtores e energéticos e você também pode estudar um pouco mais deste assunto, clicando aqui. Mas tudo isso foi visto in natura, faltava uma grande descoberta: os alimentos industrializados.

Expliquei a eles sobre alguns alimentos que estão presentes em nosso dia a dia, como o açúcar e levei o açúcar mascavo para que experimentassem e percebessem o gosto mais forte, parecido com o caldo de cana.

leitura de rotulo alimentos industrializados
A turminha estava super concentrada para aula
leitura de rotulo alimentos industrializados
Olha a carinha das meninas, sentido o doce do açúcar mascavo!

Mas precisávamos saber das embalagens, conservantes e tudo mais que os rótulos pudessem nos mostrar.

E partimos para uma atividade de LEITURA DE RÓTULO, onde os alunos precisariam observar…

  • Nome do produto;
  • Lista de ingredientes que compõem o produto;
  • Quantidade que o produto apresenta de cada um dos ingredientes;
  • Prazo de validade e data de fabricação;
  • Identificação de origem;
  • Tabela nutricional.
leitura de rotulo alimentos industrializados
A leitura da tabela nutricional despertou muita curiosidade

E foram muitas descobertas, desde quantidades excessivas de açúcares e sódio, até o uso de conservantes e falta de informações nas embalagens. Para vocês terem uma ideia, nenhuma embalagem analisada apresentava data de fabricação. Vamos melhorar isso aí, indústria de alimentos? Vamos ficar de olho!

Havia uma embalagem que nos deixou muitíssimos preocupados, nos ingredientes aparecia uma frase que dizia que o produto recebia radiação. Imagina a tensão na sala de aula, afinal quem não come um macarrão instantâneo… Radioativo?! E agora?!?!?!

leitura de rotulo alimentos industrializados
Nossos pequenos cientistas não deixaram escapar nenhum detalhe das embalagens! ❤

Outros termos apareceram, como uso de produtos transgênicos. E aí, foi aquela confusão! Todo mundo querendo perguntar ao mesmo tempo. Depois do caos instalado da sessão de perguntas …. Decidimos os próximos dois itens sobre os quais teremos que pesquisar:

* O que é produto transgênico?

* Por que usar radiação no macarrão?

Nossas cabeças estão fervendo e a de vocês?

Sabe mais alguma coisa sobre alimentos industrializados? Tem dúvida sobre algo que dissemos aqui? Deixe suas impressões nos comentários. Venha nos ajudar nas próximas etapas dessa pesquisa!

Até a próxima!

 

Ação dos decompositores: revisitando nossa primeira experiência

Olá Pensadores de Ciências!

Estamos muito felizes por aqui com o post de hoje. Sabem por quê? É dia de revisitar nossa primeira experiência. Trabalhamos com nossas turmas do quinto ano a ação dos fungos na decomposição dos alimentos. Não tá lembrando?! Então, olha aqui!

Depois de todo esse tempo sob a ação dos fungos, vocês podem imaginar que a aparência dos pães não era das melhores…rsrsrsrs. Os alunos também perceberam e a atividade rendeu muita conversa, hipóteses e considerações sobre o que está acontecendo. Vejam só:

As observações foram de todos os tipos. Sem fazer questionamentos no início da aula para não direcionar a análise dos alunos, deixei que os saquinhos de pão passassem de mão em mão.

  • Nossa, que cheiro forte!
  • Tem cheiro de leite estragado.
  • É, parece o cheiro do queijo quando estraga.
Pão caseiro e industrializado sob a ação de fungos
É de impressionar, não?

Com esse aspecto, deu pra sentir o cheiro aí, do outro lado da telinha, né? 😀

Bem, era hora de intervir, lembrei a turma de que temos fungos e bactérias que podemos usar para o nosso bem, e principalmente em nossa alimentação. Afinal, o mesmo pão que vemos ser decomposto aqui, só pode ser preparado com a ação do fermento, isto é, dos fungos. Para acompanhar o pãozinho do nosso café da manhã, mais um pouco da “parceria” entre homens e fungos: nosso queijo e nosso iogurte só existem com a ação desses amigos invisíveis. Palmas para os fungos! \o/

Outro aluno interrompeu:

  • Professora, o cheiro de leite estragado pode ser isso!

Os alunos entenderam que, além da ajudar na produção dos nossos alimentos, os fungos e o odor liberado durante o processo de decomposição também podem ser nossos “amigos”, alertando nosso sistema de defesa e nos impedindo de consumir alimentos estragados. Eu ouvi mais palmas para os fungos? 😀

Perguntei, então, da aparência. Imagine a primeira coisa que todos notaram:

  • Está quase líquido!
  • Está mole!
Pão caseiro sob a ação de fungos
Pão caseiro e a ação dos decompositores

O que mais eles poderiam me dizer sobre a experiência?

  • Houve diminuição do tamanho dos Pães.
  • Tem várias cores!
Pão caseiro sob a ação de fungos
Usamos a lupa para visualizar a decomposição do pão

Perguntei o porquê de várias cores e lá veio mais uma hipótese:

  • Devem ser vários tipos de fungos.

Será? Também fiquei a dúvida! Vamos ter que pesquisar!

Após todas essas observações, perguntei o que vai acontecer se deixarmos até o fim do ano:

  • Vai sumir, virar um fungo só!
  • Se tivesse ao ar livre já teria sumido, pois a terra já teria absorvido.

Como todos ficaram curiosos….Resolvemos que os pães ficarão no armário mais um pouquinho, e continuaremos nossas observações.

Até que ponto nossos agentes decompositores chegarão com seu trabalho?

Certamente, não são as imagens mais bonitas que mostramos aqui…rsrs! Mas vai dizer que você também não está curioso para saber o que nos aguarda na próxima observação?! Continue acompanhando essa e as outras experiências que estamos atualizando por aqui. Deixe suas dúvidas e sugestões nos comentários. Inscreva-se em nosso canal no YouTube e divulgue o blog em suas redes sociais!

Até a próxima!

Primeira experiência: Os Decompositores e a Cadeia Alimentar

A primeira experiência foi proposta cerca de 2 semanas após o início das aulas. A matéria de Ciências do 5º ano começou com o estudo da cadeia alimentar e seus componentes, então, ao falar dos decompositores, decidi demonstrar a ação dos fungos e bactérias no meio ambiente usando o pão como o alimento a ser observado. Tive a ideia de usar o pão industrializado para falar também da participação dos conservantes, mas optei por não comentar com os alunos essa escolha. Trabalhando com o ensino fundamental, acho muito importante deixar os alunos livres para que aprendam a observar e elaborar hipóteses. Era uma forma de conhecer a turma e também de estimular a postura investigativa que eu queria para o ano letivo inteiro.

Não foi uma tarefa fácil, pois ainda estava tentando me adaptar, como disse nesse post aqui. Mas, mesmo assim, posso afirmar que foi muito positivo e ainda está sendo, pois a experiência está em andamento e as crianças, totalmente envolvidas. Quer saber como tudo começou? Vamos à retrospectiva:

Marcamos o dia 01/13/16 como a data de início da experiência. Fechamos os pães em sacos plásticos e guardamos no armário da sala de aula.

As crianças observaram 10 dias depois e o resultado foi…NADA! Não havia sinais aparentes de micro organismos. Todos os alunos estavam com um misto de surpresa e decepção, pois já queriam ver o que poderia acontecer. Tive que me conter para não dar respostas. Em seguida, lancei a pergunta: “É só do pão que precisamos? Será que não falta mais nada para iniciar o processo?”

Alguns dias depois, um aluno falou que faltava a umidade. Com a resposta partindo deles, como eu queria, umedecemos somente o pão industrializado e, em 03 dias, o processo de decomposição teve início.

Mas… e o pão caseiro? A turma ainda precisava avançar um pouco mais!

O pão caseiro veio da casa de um aluno, doado pela mãe dele. A turma, vendo que o pão caseiro já apresentava bolor, perguntou como isso era possível, se ele não tinha sido umedecido, junto com o industrializado.

Mais uma vez, deixei que as questões e hipóteses ~andassem soltas~ pela sala… 🙂 Esse é o melhor “ruído” que uma sala de aula pode produzir, o da curiosidade despertada por uma possibilidade de conhecimento.

Os alunos foram se questionando até que alguém lembrou que há diferença entre alimentos caseiros e industrializados! EUREKA! 🙂

Nesse momento pude intervir e expliquei que os conservantes alimentícios são adicionados para retardar o processo de decomposição. E combinamos que iremos retomar esse tema futuramente para discutirmos os pontos positivos e negativos dos alimentos industrializados.

Tiramos também algumas fotos dos pães, para comparar com a aparência dos pães frescos, que temos em casa.

Ação dos decompositores no pão industrializado
Experiência com decompositores – pão industrializado
Ação dos fungos na decomposição de pão caseiro
Experiência com decompositores no pão caseiro

A aparência não ajuda, não é? 😉

E como estamos agora?

A experiência conta hoje com mais de 90 dias de duração. Os alunos monitoram, quase diariamente, nossa cultura. Ainda não decidimos quando abriremos as embalagens, mas assim que fizermos isso, voltarei aqui para atualizar o post, combinado?

E você professor? Já trabalhou com esse conteúdo? Como tem ensinado sobre fungos, bactérias e agentes decompositores no meio ambiente? Postei também no nosso canal do YouTube um material sobre cadeia alimentar. Se você tiver sugestões ou mais dicas de links e materiais, compartilhe nos comentários suas experiências!

Janaína B. Duarte