Bactéria e fungos parte III: a gente não desiste nunca!

Saudações, Pensadores de Ciências!

Nós continuamos nossas pesquisas com a experiência que realizamos com nossas turmas do quarto ano do ensino fundamental, no Laboratório de Ciências. Agora, nossa tentativa é de acabar com as colônias de bactérias e fungos do nosso último experimento.

Você não viu? Clica aqui e aqui.

No último post contamos para vocês que tínhamos colocados alguns produtos encontrados na escola para provarmos a existência de bactérias na cultura que criamos, esperamos por um sinal, um halo de inibição, porém… nada aconteceu. 🙁

Experiência em sala de aula microrganismos vírus fungos bactérias meio de cultura anos iniciais ensino fundamental ensino de ciências
Aqui podemos ver que a cultura está mais escura e as colônias de fungo aumentaram

Só que nossos alunos são persistentes e Pensadores de Ciências muito criativos e surgiu a ideia de usarmos produtos bem mais poderosos, pois acreditamos que os que são comprados para uso da escola sofrem diluição para não causar alergias ou intoxicações.

Decidimos investigar o armário de produtos químicos do Laboratório de Ciências da escola, lá encontramos:

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Sim, é verdade, alguns produtos estavam vencidos mas resolvemos usar assim mesmo. Até porque, não deixava de ser interessante descobrir se os produtos ainda tinham alguma ação sobre os microrganismos

Aproveitamos para anotar todos os produtos vencidos e encaminhar o pedido de reposição à direção. Agora é só aguardar.

Enquanto isso, por se tratarem de produtos fortes e, como dissemos, alguns deles fora do prazo de validade, não permitimos que os alunos manuseassem nenhum componente dessa experiência. Prevenção é tudo!

O Ácido Clorídrico é uma solução ácida e que pode causar queimaduras, devendo ser manuseado apenas por adultos e sempre com uso de luvas. É o mesmo ácido que o corpo humano fabrica no processo digestório, o P.A. que você viu no rótulo, aí na foto, vem de pureza analítica.

Já o Hipoclorito de Sódio é usado como desinfetante, sendo também distribuído em postos de saúde para purificar a água para nosso consumo. O hipoclorito de sódio é conhecido popularmente como água sanitária, que é vendida em solução de 2,0 a 2,5%. A solução que estava em nosso laboratório tem 5% de concentração. Vamos ver o que ela é capaz de fazer.

O Hidróxido de Amônio (Amoníaco Líquido) é encontrado em produtos de limpeza nos quais é utilizado o amoníaco. Ele é um ótimo complemento na limpeza doméstica e além de tudo não é poluente.

O Detergente Neutro é um grande auxiliar na remoção de impurezas, possibilita um melhor contato entre as partículas de sujeira e de água. A sujeira, na maioria das vezes, está rodeada por uma película gordurosa. Com o uso do detergente, as suas moléculas acabam eliminando essa camada de gordura, depositando-a na água, onde ela irá flutuar, podendo assim então retirar com mais facilidade a sujeira.

O álcool benzílico ou fenilmetanol, é o álcool mais simples da série aromática. Este encontra-se livre na natureza, por exemplo, na essência de jasmim e na essência de cravo. É um líquido incolor e aromático, usado principalmente como solvente.

Lugol Forte, conhecido por suas propriedades de desinfetante e antisséptico.

Sugerimos aos professores que queiram fazer esse tipo de experiência com os alunos que incluam no seu trabalho uma etapa de pesquisa sobre essas substâncias e seus usos mais comuns. Assim, a turminha aprende ainda mais.

Preparamos tudo o que íamos usar: papel filtro, conta-gotas, luvas e uma distância segura para a turminha.

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Usamos também uma bandeja plástica para evitar muita sujeira e controlar o uso das substancias
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O pessoal não ficou muito contente em não poder mexer nos materiais, mas segurança é nosso lema

Começamos, então, nosso “novo-velho” experimento.

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A manipulação dessas substâncias tem que ser feita com cuidado
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Ficou combinado que, durante a manipulação das substâncias, os alunos ficariam bem longe da bancada. Isso porque…

Ao colocarmos o primeiro produto, o ácido clorídrico, digamos que foi assim… uma loucura!!!!!

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…olha aí, a fumaça liberada pelo ácido clorídrico

Uma nuvem de fumaça branca subiu e sentimos o cheiro da reação química no mesmo momento. Ainda bem que a turminha estava a uma distância segura e nosso laboratório é bem ventilado. Também avisamos que, se necessário, algum aluno que se sentisse incomodado com algum cheiro,  poderia deixar o laboratório e retornar alguns minutos depois. Nós já prevíamos algum acontecimento inusitado.

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Aos poucos, fomos aplicando cada um dos produtos

A fumaça durou apenas alguns instantes. Continuamos o experimento, utilizando as demais substâncias. Chegamos ao último produto e já podíamos ver as primeiras reações.

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Olha só…não é que começamos a ver os efeitos? Conseguem ver a espuma em volta da solução 56?

A solução 47, é o Hipoclorito de Sódio 5%. Notamos um clareamento na cultura na região onde foi colocado o papel filtro.

Também houve alteração na região onde foi colocado o detergente neutro, solução 56. A espuma surgiu no mesmo momento e o meio de cultura começou a clarear.

E o último local a apresentar modificação foi a do Lugol. Também notamos o início do clareamento na cultura.

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Alguns minutos após o termino do experimento

E a criançada foi tirar suas conclusões:

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Finalmente, depois de uns minutos, a turminha podia se aproximar. Só não valia tocar em nada!
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Algumas análises
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Hipóteses sendo levantadas

E qual foi a conclusão a que nossa turma chegou? Que o melhor sempre é o bom e famoso sabão.

A reação do detergente neutro foi a que mais impressionou, pois fez espuma e começou a clarear, sugerindo uma ação mais eficiente no combate aos fungos e bactérias da cultura. E os alunos imediatamente já lembraram do que dizemos a eles quando acontece algum ferimento: água e sabão. Lembraram também do que discutimos inúmeras vezes em sala de aula e até já mostramos aqui. Isto quer dizer que se lembraram da importância dos bons hábitos de higiene. Entre eles, lavar sempre as mãos. Falando nisso…

…como diria a música de Arnaldo Antunes,

“Uma

Lava outra, lava uma

Lava outra, lava uma mão

Lava outra mão, lava uma mão

Lava outra mão

Lava uma

 

Depois de brincar no chão de areia a tarde inteira

Antes de comer, beber, lamber, pegar na mamadeira

Lava uma (mão), lava outra (mão)

Lava uma, lava outra (mão)

Lava uma

 A doença vai embora junto com a sujeira

Verme, bactéria, mando embora embaixo da torneira

Água uma, água outra

Água uma (mão), água outra

Água uma…”

É Arnaldo, só faltou o sabão. rsrsrs

Foi um dia bem divertido no Laboratório de Ciências. Esperamos que você tenha gostado desta experiência e que esteja bem animado para fazer a sua própria cultura de fungos e bactérias! Se fizer algo parecido, que tal mandar fotos ou vídeos na nossa página no Facebook? Estamos te esperando!

Até a próxima!

Continuando a experiência com microrganismos: vírus, bactérias e fungos

Saudações, Pensadores de Ciências!

Lembram aqui no nosso penúltimo post? Aquele que falava de microrganismos? Os 3 dias se passaram e fomos verificar nossa experiência e vejam só o que encontramos.

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Além de bactérias também tínhamos várias colônias de fungos

Olha a cara do pessoal com a novidade…

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A criançada anda se sentindo muito importante! Brincando e Pensando Ciências <3
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Podemos dizer que nosso amigo aí está tentando disfarçar, porque o cheiro é terrível… =0

Além das bactérias, presentes pela quantidade de material orgânico e dos fungos que apareceram, pois estão em um meio propício com umidade e pouca luz, também sentimos um forte cheiro, resultante de um fungo chamado Candida albicans, que está entre os muitos organismos que vivem na boca e no sistema digestório do nosso corpo. Em circunstâncias normais, a Candida albicans pode ser encontrada em 80% da população sem que cause problemas a saúde.

E agora, o que fazer com esse material tão interessante?

Vamos tentar provar a existência das bactérias com ajuda de alguns produtos que podem ser bactericidas. Separamos, água sanitária, enxaguante bucal, desinfetante, álcool, vinagre e desengordurante.

Para evitarmos problemas de contaminação e ajudar na manipulação dos produtos, usamos uma pinça e papel filtro, que é muito parecido com o filtro de café que você usa em casa.

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O filtro foi cortado em pequenos círculos para que todas as substâncias coubessem na placa. Logo acima, é possível ver os copinhos que usamos para separar e identificar as substâncias utilizadas.
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Aí foi só chamar a criançada para ver a colocação das substâncias no meio de cultura
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E ninguém queria perder nenhum detalhe! Dá pra ver a Marina, nossa “fotógrafa oficial” arrumando o celular para fazer os registros dela

As iniciais dos produtos foram anotadas nos círculos de papel para a identificação.

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Uma boa organização vale muito 😉

Agora, vamos aguardar para ver a reação dos materiais que colocamos em nossa cultura…

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Vejam só como ficou… Agora é só esperar!

Nossa observação se dará para ver se surgirá em volta de cada papel um halo de inibição, que vai nos mostrar a atividade antimicrobiana (halo de inibição é um círculo que se formará em torno do papel mostrando que não há mais crescimento microbiano), no nosso caso, atividade bacteriana.

O que será que vamos encontrar quando retornarmos às amostras? Estão curiosos? Nós também! Continue ligadinho aqui no blog e acompanhe as cenas dos próximos capítulos próximas etapas desta investigação. E se você já fez algo parecido, que tal compartilhar conosco as suas descobertas?

Até a próxima!

Experiência com micro-organismos: vírus, bactérias e fungos

Saudações, Pensadores de Ciências!

Hoje vamos falar de um assunto que “quase ninguém vê”, os micro-organismos, ou, microrganismos. A experiência que trazemos hoje é sobre vírus, bactérias e fungos.

Nossos quartos anos do ensino fundamental avançaram com os conteúdos e estamos agora estudando os microrganismos e suas relações com os seres humanos.

Iniciamos contando para as turmas que os microrganismos são seres unicelulares, isto é, de uma única célula, e que, portanto, não podem ser vistos a olho nu, sendo visíveis apenas com uso de microscópios.

Logo depois falamos dos vírus, que são, praticamente, parasitas celulares, pois necessitam de outra célula viva para sobreviver, podem atacar animais, vegetais e bactérias. Esse assunto não era novidade para os alunos, pois conversamos sobre os vírus quando falamos de vacinas, alimentação e vitaminas.

Você também já viu microrganismos no blog aqui e aqui.

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Nessa imagem temos o vírus influenza, causador da gripe

Imagem

Na sequência, falamos das bactérias, estes  seres microscópicos estão presentes em toda a parte, até mesmo no nosso corpo ajudando o sistema excretor, presentes também em alguns alimentos e remédios. Essa variedade de formas em que podemos encontrar as bactérias chamou a atenção dos nossos alunos. Resolvemos, então, fazer um pequeno experimento, um cultivo de bactérias.

O objetivo dessa experiência é mostrar a existência de bactérias e como elas contaminam o meio de cultura.

Para isso usamos:

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Com material separado é só começar a estudar os microrganismos
  • Gelatina sem sabor
  • Caldo de carne
  • Cotonetes
  • Água para dissolver o caldo e a gelatina
  • 2 placas de petri, esse material transparente que você vê na foto. Se você não tiver, pode usar duas tampas de maionese.

Os alunos devem passar o cotonete no chão ou entre os dentes, ou ainda entre os dedos dos pés (de preferência depois de eles ficarem por um bom tempo fechados dentro dos tênis e meias). Existem outras opções, como usar as mãos sujas ou uma nota de dinheiro. O cotonete é esfregado levemente sobre o meio de cultura para contaminá-lo. Tampe as placas de petri ou envolva as tampas de maionese com filme plástico. Depois de três dias, observe as alterações.

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Uma de nossas turmas, esperando a “mágica” acontecer! <3

Após prepararmos os meios de cultura, era hora de colher as bactérias para a reprodução.

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As bactérias também estão presentes em nossa boca, principalmente se, após as refeições, não fizermos a higiene apropriada! Bora escovar muito bem esses dentinhos, pessoal! 😀
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E lá estávamos nós, colhendo bactérias! =o

As bactérias coletadas foram colocadas no meio de cultura através dos cotonetes.

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A cor da cultura é referente ao caldo de carne, que fornecerá as condições para o desenvolvimento dos microrganismos

Agora estamos aguardando nosso “milagre particular da multiplicação”. São 3 dias de espera para o próximo capítulo. Estamos na expectativa. E você? Já fez experiências semelhantes na sua escola? Se ainda não fez, queremos saber o que você acha dessas atividades em sala de aula.

Por enquanto, acompanhe o desenrolar desta aventura com a nossa turminha.

Até a próxima!

Pensando Ciências visita: ETE Capivari

Salve Pensadores de Ciências!

Vocês se lembram desse post aqui? Nós mostramos uma experiência muito especial criada pelo professor Daniel Lourenço da EMEF Maria Pavanatti Fávaro. A experiência, na verdade, era parte da preparação para uma visita técnica a qual tivemos a honra de acompanhar! \o/

Também mostramos uma outra visita nesse post aqui.

A turma do Pavanatti visitou a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Capivari. Esse estudo do meio foi pensado para que os alunos pudessem observar todas as etapas da captação e do tratamento de água. E você? Sabe qual o caminho percorrido pela água, do rio à torneira? Continue por aqui que a gente conta T-U-D-O que descobriu!

A SANASA, empresa responsável pelo abastecimento de água do município de Campinas, tem o programa Minha Escola na Sanasa, com o qual monitores treinados (funcionários da própria empresa) buscam os alunos na própria escola e levam até à Estação de Tratamento mais próxima da escola. No caso da EMEF Maria Pavanatti Fávaro, a Estação mais próxima é a Capivari, que recebe esse nome por coletar a água do rio Capivari e, com essa água, abastecer os bairros da região do Aeroporto Internacional de Viracopos.

ETE Capivari Campinas
Fomos até a Estação de Tratamento na companhia dos monitores do programa Minha Escola na Sanasa

Logo na chegada, nossos monitores nos informaram  que a ETE Capivari tem a capacidade de captar 365 litros de água por segundo. É M-U-I-T-A coisa!!! Mas….para chegar à nossa casa, a água passa por algumas etapas de tratamento e foram essas etapas que pudemos acompanhar com a ajuda dos monitores.

ETE Capivari Campinas
Logo no início, os monitores explicaram tudo que veríamos na ETE

Nosso primeiro ponto de observação foi a captação em si. Nesta etapa não há qualquer tratamento. A água ainda apresenta os sinais da contaminação 🙁 e podemos até mesmo ver a presença de algas que só proliferam em águas poluídas.

ETE Capivari Campinas
Visão geral das bombas que captam 365 litros de água, por segundo!
ETE Capivari Campinas
Aqui vemos o rio Capivari no trecho de captação da Estação de Tratamento
ETE Capivari Campinas
A presença dessa espécie de alga indica que a água captada no rio está poluída e exige muito tratamento

E as bombas, que funcionam em sistema de revezamento, para realizar a captação.

ETE Capivari Campinas
Parte interna das bombas de captação

Na sequência, os monitores falaram sobre os estágios do tratamento: filtragem, floculação e decantação. Para a filtragem, temos os seguintes elementos que compõem os filtros: areia (fina e grossa), 03 tipos de cascalho e ainda policloreto de alumínio e carvão vegetal.

ETE Capivari Campinas
As camadas que compõem o filtro

Para que um processo tão complexo e importante se dê, a água passa por vários tanques, nas etapas de tratamento. Já nos primeiros tanques, a água recebe cal hidratada, para equilibrar o Ph, que deve fica entre 7 e 7,5. Além da cal, a água recebe a primeira adição de cloro, para iniciar a purificação.

Momento curiosidade: Você sabia que, justamente por ser um ambiente com a manipulação de grandes quantidades do gás cloro (altamente tóxico), está proibido o consumo de alimentos na área da estação de tratamento de água? Agora, você já sabe: se for com sua escola a uma ETE, não poderá levar nem um lanchinho para “se distrair” durante a visita. Fique atent@

Voltando ao nosso roteiro…

ETE Capivari Campinas
Visão geral dos diversos tanques de tratamento

No segundo conjunto de tanques, ocorrem as etapas seguintes. Primeiramente, a etapa de floculação. O policloreto que foi adicionado vai formando um material suspenso (em forma de flocos) e é responsável por recolher mais impurezas da água. Esses flocos são, no primeiro momento, agitados por canaletas nos tanques de água. Na etapa seguinte, com a decantação, o material vai para o fundo, formando o que os técnicos chamam de lodo de fundo de estação de tratamento.

ETE Capivari Campinas
Formação do lodo de fundo, após a ação do policloreto de alumínio
ETE Capivari Campinas
Na decantação, o lodo se deposita nas canaletas que impedem o retorno das impurezas para a água

Neste ponto, a água já está bastante limpa, mas ainda não é potável, e é aí que o tratamento vai para a etapa final. Nos últimos tanques há um novo acréscimo de cloro. Mas desta vez, ele ganha a companhia de outros dois elementos: a amônia, usada para fixar o gás cloro na água e o flúor, que colabora com a nossa saúde bucal.

ETE Capivari Campinas
Painel que controla as adições de cloro, amônia e flúor na etapa final do tratamento de água

Para encerrar a visita, nossos monitores alertaram sobre a importância do uso racional da água. Como pudemos observar, a captação e o tratamento não são processos simples, tampouco baratos. Sendo assim, o combate ao desperdício e também o reuso se tornam indispensáveis para o nosso futuro.

Descobrimos também, no final de nossa visita, que tudo que vimos sobre os procedimentos de tratamento estão regulamentados pelo Ministério da Saúde, que por meio da Portaria 2914, determina os critérios de potabilidade da água e de tudo que é adequado à saúde humana.

Nossa! Quanta coisa aprendemos nessa visita!

E depois de tanto aprendizado…

ETE Capivari Campinas
…que tal um copo de água geladinho. Essa conversa deu uma sede! 😀

É isso aí né, pessoal?! Vamos cuidar direitinho da água que temos? Essa é a nossa obrigação e garantia de sobrevivência 😉

Agradecemos à equipe da EMEF Maria Pavanatti Fávaro que nos convidou para acompanhar essa visita e aos monitores da SANASA que responderam a todas as perguntas que fizemos para escrever esse post.

Gostaria de sugerir alguma visita técnica para nós? Deixe suas impressões e dicas aí nos comentários. Vem Pensar Ciências com a gente!

Até a próxima!

 

Primeira experiência: Os Decompositores e a Cadeia Alimentar

A primeira experiência foi proposta cerca de 2 semanas após o início das aulas. A matéria de Ciências do 5º ano começou com o estudo da cadeia alimentar e seus componentes, então, ao falar dos decompositores, decidi demonstrar a ação dos fungos e bactérias no meio ambiente usando o pão como o alimento a ser observado. Tive a ideia de usar o pão industrializado para falar também da participação dos conservantes, mas optei por não comentar com os alunos essa escolha. Trabalhando com o ensino fundamental, acho muito importante deixar os alunos livres para que aprendam a observar e elaborar hipóteses. Era uma forma de conhecer a turma e também de estimular a postura investigativa que eu queria para o ano letivo inteiro.

Não foi uma tarefa fácil, pois ainda estava tentando me adaptar, como disse nesse post aqui. Mas, mesmo assim, posso afirmar que foi muito positivo e ainda está sendo, pois a experiência está em andamento e as crianças, totalmente envolvidas. Quer saber como tudo começou? Vamos à retrospectiva:

Marcamos o dia 01/13/16 como a data de início da experiência. Fechamos os pães em sacos plásticos e guardamos no armário da sala de aula.

As crianças observaram 10 dias depois e o resultado foi…NADA! Não havia sinais aparentes de micro organismos. Todos os alunos estavam com um misto de surpresa e decepção, pois já queriam ver o que poderia acontecer. Tive que me conter para não dar respostas. Em seguida, lancei a pergunta: “É só do pão que precisamos? Será que não falta mais nada para iniciar o processo?”

Alguns dias depois, um aluno falou que faltava a umidade. Com a resposta partindo deles, como eu queria, umedecemos somente o pão industrializado e, em 03 dias, o processo de decomposição teve início.

Mas… e o pão caseiro? A turma ainda precisava avançar um pouco mais!

O pão caseiro veio da casa de um aluno, doado pela mãe dele. A turma, vendo que o pão caseiro já apresentava bolor, perguntou como isso era possível, se ele não tinha sido umedecido, junto com o industrializado.

Mais uma vez, deixei que as questões e hipóteses ~andassem soltas~ pela sala… 🙂 Esse é o melhor “ruído” que uma sala de aula pode produzir, o da curiosidade despertada por uma possibilidade de conhecimento.

Os alunos foram se questionando até que alguém lembrou que há diferença entre alimentos caseiros e industrializados! EUREKA! 🙂

Nesse momento pude intervir e expliquei que os conservantes alimentícios são adicionados para retardar o processo de decomposição. E combinamos que iremos retomar esse tema futuramente para discutirmos os pontos positivos e negativos dos alimentos industrializados.

Tiramos também algumas fotos dos pães, para comparar com a aparência dos pães frescos, que temos em casa.

Ação dos decompositores no pão industrializado
Experiência com decompositores – pão industrializado
Ação dos fungos na decomposição de pão caseiro
Experiência com decompositores no pão caseiro

A aparência não ajuda, não é? 😉

E como estamos agora?

A experiência conta hoje com mais de 90 dias de duração. Os alunos monitoram, quase diariamente, nossa cultura. Ainda não decidimos quando abriremos as embalagens, mas assim que fizermos isso, voltarei aqui para atualizar o post, combinado?

E você professor? Já trabalhou com esse conteúdo? Como tem ensinado sobre fungos, bactérias e agentes decompositores no meio ambiente? Postei também no nosso canal do YouTube um material sobre cadeia alimentar. Se você tiver sugestões ou mais dicas de links e materiais, compartilhe nos comentários suas experiências!

Janaína B. Duarte